24 de novembro de 2017

Majin Tantei Nougami Neuro - O sucesso oculto de Matsui Yuusei


Saudações, guardiões! Hoje vou falar de uma obra um pouco diferente: Majin Tantei Nougami Neuro.

É comum haver sucessos de grandes autores de revistas populares como a Shonen Jump que passam debaixo do nosso radar no ocidente. Um bom exemplo é Sekimatsu Leader Takeshi-den de Mitsutoshi Shimabukuro, autor de Toriko, e Majin Tantei Nougami Neuro, de Matsui Yuusei, mais conhecido por seu trabalho mais recente, Assassination Classroom. 

Majin Tantei Nougami Neuro é o que é conhecido pelos leitores da jump (pelo menos aqui no ocidente) como sucesso de meio de TOC: um mangá que tem fãs dedicados e vendas modestas, mas que não faz um sucesso tão estrondoso quanto os mangás mais populares da revista.

FICHA TÉCNICA

Título: Majin Tantei Nougami Neuro (魔人偵探腦嚙涅羅), Detetive Demoníaco Nougami Neuro
Tipo: Mangá
Número de volumes: 23 volumes
Status: Completo
Gêneros: Drama, Comédia, Sobrenatural, Mistério, Battle Shonen
Demografia: Shonen
Mangaká e desenhista: Matsui Yuusei
Ano: 2005

SINOPSE

Nougami Neuro é um demônio que se alimenta de mistérios. Ele acabou consumindo todos os mistérios do inferno após querer saciar o seu apetite. Em busca do Enigma Supremo capaz de satisfazer a sua fome, ele resolve ir para o mundo dos humanos. O primeiro mistério encontrado por Neuro é  o caso de assassinato do pai da estudante Katsuragi Yako. Com a polícia tendo dificuldades na investigação, Neuro se aproxima da Yako e oferece resolver o caso, em troca de que ela interprete um detetive em seu lugar para não atrair muitas suspeitas. Neuro resolve facilmente o caso da Yako e como prometido, ela vira detetive para que o Neuro possa solucionar todos os mistérios no mundo dos humanos.

OPINIÃO (SPOILERS ABAIXO)

Majin Tantei Nougami Neuro é um mangá bem inconvencional para os padrões da Jump atualmente. Uma obra de investigação policial, com elementos sobrenaturais e um personagem título não-humano, mas em que os personagens focais são os humanos, e suas manias, fobias e peculiaridades.

Neuro possui diversos poderes interessantes denominados de 777 ferramentas do mundo dos demônios, utilizados ao longo dos arcos como ferramentas investigativas. Apesar dessa dinâmica de poderes sobrehumanos, o mangá consegue, durante a maior parte do seu curso, se manter fora do rumo Battle shonen, o que só ocorre realmente no arco final. Apesar de ser o mais longo e ter alguns bons momentos, pra mim é o pior arco. O diferencial de Neuro era exatamente não ser um battle Shonen genérico, mas o mangá acaba por se tornar exatamente isso. Apesar de tudo, a obra como um todo é excelente. 

Seus personagens tão carismáticos e fiéis a sua essência cativam o leitor do começo ao fim. A relação entre os arcos é muito bem construída pelo autor, apesar de alguns dos retcons que ele faz justamente nessa reta final deixarem um sabor amargo em retrospecto comparadas à sua visão original. A dinâmica entre Yako e Neuro e o crescimento da jovem ao longo da obra são alguns dos pontos mais positivos do mangá.

A ARTE
Neuro e Yako revelando um criminoso
Talvez o ponto mais forte de Neuro junto da história sejam suas ilustrações. Não que a arte seja excelente ou superior a muitos mangás de sua época, mas o design dos personagens é bastante criativo e bizarro. Pode ser que por ser uma obra de sucesso mediano, seu editor tenha permitido que Matsui Yuusei inventasse as mais bizarras criaturas para as capas de capítulos, e armas e personagens, para o uso no decorrer da história. O próprio Neuro, em sua forma demoníaca, é uma criatura que parece um papagaio infernal, com ossos saindo da cabeça. Os cenários e páginas duplas também são belíssimos, e causam um maravilhoso efeito de pausa para admiração no leitor.


Belissimas páginas duplas

Comparativamente com Assassination Classroom, porém, a arte pode ser um pouco estranha, muitas vezes parecendo "quadrada" e sem fluidez. Isso não diminui a qualidade da obra, mas certamente causa algum incômodo até que o leitor se acostume.

OS VILÕES

Durante os arcos de Neuro temos uma enorme gama de vilões, e, diferente de grande parte das obras investigativas mundo afora, eles apresentam motivações que podem ser vistas como estúpidas ou banais, e em grande parte, insanas. Apenas alguns vilões apresentam um motivo que pareça minimamente racional. São eles X e HAL, os personagens que para mim representam o que há de melhor no tema antagonistas da obra.

X é um assasino monstruoso, que não lembra sua origem ou forma original. Ele desmembra os corpos de suas vítimas dentro de caixas de vidro transparentes afim de analisá-las e descobrir o seu verdadeiro eu. Já HAL é uma pessoa eletrônica, uma inteligência virtual que possui habilidades hipnóticas e as utiliza numa busca acelerada pela dominação mundial. O que torna esses vilões tão interessantes é a natureza ambígua de suas ações, que buscam saciar desejos mais humanos do que se espera de um vilão: a busca da própria identidade no caso de X, e a recriação por meio da tecnologia de um amor perdido, no caso de HAL.

 HAL e X (fanart)

Suas sagas são as mais interessantes do mangá, sendo seguidas da saga do Sicks, um vilão que não poderia ser mais shonenzesco. Um cara mau, sem uma motivação forte além de querer dominar o mundo e acabar com a humanidade afim de perpetuar a sua própria "raça avançada". Parando pra pensar, é quase o próprio Hitler. Sua saga tem momentos interessantes, mas no geral, é a minha menos preferida, como já dito antes, por ser muito semelhante a outros mangás, e muito diferente da própria essência de Neuro.

Sicks. Pelo menos o design dele é bom.
Mas o melhor vilão de todos, apesar de sua curta aparição é David Rice, um americano abusado que acha que pode fazer o que quiser no japão. Uma grande caricatura dos americanos sob os olhos do autor, David possui uma arma e um grande nariz com um rosto de caveira, além de um ego do tamanho do mundo.

Que homem, meus amigos
Foi bom ler Neuro, e se percebe os traços que tornaram Assassination Classroom um sucesso na obra. Um shonen recomendadíssimo para quem tiver tempo livre para ler.